História da epilepsia: um ponto de vista epistemológico
History of epilepsy: a epistemologic point of view
Marleide da Mota GomesSOBRE O AUTOR
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Resumos
INTRODUÇÃO: A história da epilepsia estuda a evolução do
conhecimento médico com as suas contradições e incrementos aqui abordados
eurocentristicamente. A literatura relacionada é rica e extensa. METODOLOGIA:
Revisão narrativa baseada em fatos históricos sobre epilepsia em perspectiva
epistemológica. OBJETIVOS: Apresentar uma breve resenha da evolução do
conhecimento e de fatos no decorrer de quase 2300 anos desde Hipócrates até
meados do século XIX, na virada para a epileptologia moderna que tem como
símbolo, John Hughlings Jackson (1834-1911). Mencionar, da era pré-moderna, as
hipóteses sobre a origem das crises epilépticas (CE) no organismo humano e suas
causas e os conseqüentes procedimentos terapêuticos. Arrolar, dos anos
subseqüentes ao mestre inglês, aspectos fundamentais da epileptologia moderna
através dos seus Centros precursores, personalidades e fatos mais marcantes:
terapia medicamentosa e cirúrgica, diagnóstico neurofisiológico e o retorno à
abordagem integrada biopsicossocial patrocinada pela Campanha Global Contra
Epilepsia, Saindo das sombras. Considerar: personalidades com/ou apenas
hipoteticamente com epilepsia; literatura feita por escritores com epilepsia ou
expectadores das CE de pessoas com epilepsia ou conhecedores de relatos
secundários delas; livros médicos e periódicos precursores sobre epilepsia.
CONCLUSÃO: A história da epilepsia consegue fazer uma resenha da evolução do conhecimento
médico o que pode ser feito for fatos científicos e suas interfaces
socioculturais. Ela demonstra, por exemplo, a importância histórica do método
dedutivo-hipotético na elucidação da fisiopatogenia da epilepsia,
magistralmente feita por John Hughlings Jackson, ao lado do mais usualmente
usado nas Ciências, o indutivo.
epilepsia; história; epistemologia
INTRODUCTION: The history of the epilepsy studies the medical
knowledge with their contradictions and increments, here presented in a
European point of view. The related literature is rich and extensive.
METHODOLOGY: Narrative review based on epilepsy historical facts in an
epistemologic perspective. OBJECTIVES: To present an overview of the evolution
of the knowledge and of facts in elapsing of almost 2300 years from Hippocrates
to middles of the XIX century, in the turn point of the modern epileptology
that has as symbol, John Hughlings Jackson (1834-1911). To mention, of the
pre-modern era, the hypotheses on the seizure origin in the human organism and
related causes and the consequent therapeutic procedures. To enroll, after the
subsequent years to the English master, fundamental aspects of the modern
epileptology through their pioneer Centers, personalities and more outstanding
facts: surgical and drug therapies, neurophysiological diagnosis and the return
to the integrated bio-psycho-social approach sponsored by the Global Campaign
Against Epilepsy, Out of the shadows. To consider: personalities with/or just
hypothetically with epilepsy; literature done by writers with epilepsy or who
saw patient's seizures or who read secondary reports about these patients;
precursor medical book or periodics. CONCLUSION: The epilepsy history manages
to do a review of the medical evolution of the knowledge that can be done by
means of scientific facts and socio-cultural interfaces. It demonstrates, for
instance, the historical importance of the deductive-hypothetical method in the
elucidation of the epilepsy physiopathogeny, masterfully done by John Hughlings
Jackson, besides the more usually carried out in the Sciences, the inductive.
epilepsy; history; epistemology
REVIEW ARTICLE
História da epilepsia: um ponto de vista epistemológico*
History of epilepsy: a epistemologic point of view
Marleide da Mota Gomes
Pós-Graduação do Programa de Psiquiatria e Saúde Mental da
UFRJ. Programa de Epilepsia do Instituto de Neurologia Deolindo Couto/UFRJ
Endereço para correspondência
RESUMO
INTRODUÇÃO: A história da epilepsia estuda a evolução do
conhecimento médico com as suas contradições e incrementos aqui abordados
eurocentristicamente. A literatura relacionada é rica e extensa.
METODOLOGIA: Revisão narrativa baseada em fatos históricos
sobre epilepsia em perspectiva epistemológica.
OBJETIVOS: Apresentar uma breve resenha da evolução do
conhecimento e de fatos no decorrer de quase 2300 anos desde Hipócrates até
meados do século XIX, na virada para a epileptologia moderna que tem como
símbolo, John Hughlings Jackson (1834-1911). Mencionar, da era pré-moderna, as
hipóteses sobre a origem das crises epilépticas (CE) no organismo humano e suas
causas e os conseqüentes procedimentos terapêuticos. Arrolar, dos anos
subseqüentes ao mestre inglês, aspectos fundamentais da epileptologia moderna
através dos seus Centros precursores, personalidades e fatos mais marcantes:
terapia medicamentosa e cirúrgica, diagnóstico neurofisiológico e o retorno à
abordagem integrada biopsicossocial patrocinada pela Campanha Global Contra
Epilepsia, Saindo das sombras. Considerar: personalidades com/ou apenas
hipoteticamente com epilepsia; literatura feita por escritores com epilepsia ou
expectadores das CE de pessoas com epilepsia ou conhecedores de relatos
secundários delas; livros médicos e periódicos precursores sobre epilepsia.
CONCLUSÃO: A história da epilepsia consegue fazer uma resenha
da evolução do conhecimento médico o que pode ser feito for fatos científicos e
suas interfaces socioculturais. Ela demonstra, por exemplo, a importância
histórica do método dedutivo-hipotético na elucidação da fisiopatogenia da
epilepsia, magistralmente feita por John Hughlings Jackson, ao lado do mais
usualmente usado nas Ciências, o indutivo.
Unitermos: epilepsia, história, epistemologia
ABSTRACT
INTRODUCTION: The history of the epilepsy studies the medical
knowledge with their contradictions and increments, here presented in a
European point of view. The related literature is rich and extensive.
METHODOLOGY: Narrative review based on epilepsy historical
facts in an epistemologic perspective.
OBJECTIVES: To present an overview of the evolution of the
knowledge and of facts in elapsing of almost 2300 years from Hippocrates to
middles of the XIX century, in the turn point of the modern epileptology that
has as symbol, John Hughlings Jackson (1834-1911). To mention, of the
pre-modern era, the hypotheses on the seizure origin in the human organism and
related causes and the consequent therapeutic procedures. To enroll, after the
subsequent years to the English master, fundamental aspects of the modern
epileptology through their pioneer Centers, personalities and more outstanding
facts: surgical and drug therapies, neurophysiological diagnosis and the return
to the integrated bio-psycho-social approach sponsored by the Global Campaign
Against Epilepsy, Out of the shadows. To consider: personalities with/or just
hypothetically with epilepsy; literature done by writers with epilepsy or who
saw patient's seizures or who read secondary reports about these patients;
precursor medical book or periodics.
CONCLUSION: The epilepsy history manages to do a review of
the medical evolution of the knowledge that can be done by means of scientific
facts and socio-cultural interfaces. It demonstrates, for instance, the
historical importance of the deductive-hypothetical method in the elucidation
of the epilepsy physiopathogeny, masterfully done by John Hughlings Jackson,
besides the more usually carried out in the Sciences, the inductive.
Key words: epilepsy, history, epistemology.
INTRODUÇÃO
Poucas doenças chamaram tanta atenção e geraram tanto debate
quanto a epilepsia. A sua literatura é extensa e precursora das neurociências,
da diferenciação explícita entre práticas culturais religiosas, mágicas e
científicas(1). Ela demonstra como a exposição à história dos cuidados médicos
é importante pedagogicamente. Os estudiosos da medicina reconhecem que todos os
conhecimentos médicos são sujeitos à mudança e adquiridos em contextos
específicos. Isso pode ser inferido ao longo do presente texto, a partir de uma
revisão narrativa, que procura fazer uso da filosofia das neurociências para
entender a construção do conhecimento sobre a epilepsia, o que se pensa sobre
ela e porque se pensa desta forma. Assim, a autora além de expor fatos
históricos principais também procura explorar criticamente a construção do
conhecimento sobre a epilepsia ao longo do tempo, especialmente por John
Hughlings Jackson (1834-1911).
MARCOS HISTÓRICOS ATÉ O INÍCIO DA EPILEPTOLOGIA MODERNA
Etiologia
As crenças predominam na história da epilepsia. As pessoas
com epilepsia (PCE) da Roma antiga eram evitadas por medo de contágio(2). Na
Idade Média, elas foram perseguidas como bruxas(2). Em 1494, foi lançado o
manual de caçar bruxas, Malleus maleficarum, escrito por dois frades
dominicanos vinculados à famigerada Inquisição Católica. Nesse tratado, a
presença de crises epilépticas (CE) era uma característica de feitiçaria(2). A
orientação do mencionado tratado levou à perseguição, tortura e morte a mais de
100.000 mulheres(2), conclui-se que várias delas eram PCE. Na primeira metade
do século passado nos EUA, essas pessoas eram rotuladas como desviantes e o seu
matrimônio e reprodução eram restringidas através de legislação e médicos
eugenicistas, como Gordon Lennox (1884-1960)(2,3). Existem também relatos de
conversão religiosa relacionada temporalmente à CE, assim como o acometimento
de epilepsia de vários líderes religiosos(2). A visão da epilepsia como devida
a influências ocultas ou más teve partidários até mesmo na Medicina durante os
tempos antigos. Conseqüentemente, foram prescritos tratamentos mágicos ou
religiosos, algumas práticas que persistem até hoje em parte da população
leiga. No Renascimento, houve a tentativa de se ver a epilepsia como uma
manifestação de doença física em lugar de uma mais obscura. No entanto, foi
durante o Iluminismo que a epilepsia começou a ser considerada de forma mais
moderna, com a ajuda de avanços da anatomia, patologia, química, farmácia e
fisiologia(2). A evolução do conhecimento sobre o transtorno é pontificado por
nomes como Hipócrates, Galeno, Arateus, Avicena, Paracelsus, Willis, Boerhaave
e Tissot. Nas seções seguintes, mencionamos outros personagens e aquisições nesta
saga para entender este complexo sintomatológico e os cuidados às CE e às PCE.
O Corpus Hipocraticum, conceitos médicos de Hipócrates e de sua escola, com
abordagem holística, se fez valer até meados dos anos de 1700. Esses conceitos
se apoiavam em variados aforismos sendo que alguns ainda norteiam a Medicina e
a ética médica. Vários dos textos a seguir apresentados e transcritos por
Pearce (1998)(4) demonstram como ao longo do tempo teorias fisiopatogênicas das
CE se somaram escalarmente. Andréas Vesalius (1514-1564) reconheceu a epilepsia
focal. Brown-Séquard (1858) teve um papel importante na teoria da
irritabilidade de nervo aferente periférico, sendo a medula o componente
central do mecanismo reflexo. Robert Bentley Todd acreditou que as CE eram conseqüentes
ao acometimento inicial dos lobos hemisféricos, logo seguido pelo corpo
quadrigêmino, sendo a intensidade da perturbação dependendente do
comprometimento da medula oblongata e da espinha dorsal. Nothnagel gerou a
hipótese do "centro convulsivo" adjacente ao do da respiração.
Hammond no seu tratado On the diseases of the nervous system (1871) pensou que
a localização da epilepsia era na medula e as lesões no córtex a excitariam
para produzir a convulsão. No entanto, várias teorias patofisiológicas da
epilepsia identificaram corretamente o cérebro como a origem do problema, mas
enfatizando causas incorretas. Galeno (130-200) deduziu que a epilepsia era um
transtorno do cérebro devido ao acúmulo de humores espessos, sendo que
Paracelsus reconhecia uma ebulição para cima dos espíritos vitais (spiritus
animalis). Thomas Willis (1621-1675) indicou que a predisposição do cérebro
para ter CE era hereditária ou adquirida. De acordo com Brown-Séquard, o
vasospasmo cerebral reflexo, em lugar de congestão venosa cerebral, seria a
causa da perda de consciência. Jacobus Schroeder van der Kolk (1797-1862)
realizou autópsias e caracterizou: "dilatação das veias que apareceram
cheias de sangue no córtex, medula e espinha dorsal." Assim, no decorrer
desses 2.400 anos passamos da hipótese do supernatural, com denominações de
"doença sagrada" e "lunáticos", para uma natural orientada
por Hipócrates e texto védico Charaka Samhita(5) até as idéias mais modernas.
Como poderemos concluir mais a seguir, na seção sobre as Escolas precursoras,
as concepções mais modernas sobre as raízes do transtorno começaram a ocorrer
apenas a partir dos séculos XVIII e XIX.
Terapêutica
O relato das tentativas malsucedidas terapêuticas é extenso.
Muitas não somente eram aleatórias e ineficazes como poderiam também ser
cruéis, a considerar algumas como: consumo de sangue de ser humano recentemente
morto, pó de crânio humano, digitalis ou nitrato de prata, além de sangria,
purgação, emese, diurese, sudorese e recomendação para exercer ou coibir
atividade sexual ou trepanação craniana, p. ex.(2). Como as CE estavam muitas
vezes relacionadas a causas sobrenaturais, a elas se recorriam para
neutralizá-las: amuletos e santos tais como São Valentim. Conclui-se que esses
tratamentos eram usualmente ineficazes, mas comumente baseados nas hipóteses
fisiopatogênicas em curso das CE recorrentes.
EPILEPSIA EM PERSONALIDADES DESTACADAS E NA ARTE
Ressalta-se que a maioria das PCE era vista com preconceito,
mas alguns tiveram sucesso e ficaram famosas, sendo várias estadistas, santos,
cientistas, artistas, havendo notório viés masculino(2). No entanto, Hughes
(2005)(6) alerta sobre o exagero de imputar a várias personalidades a condição
de epiléptico tendo ao contrário outros problemas de saúde como os que mais
freqüentemente também confundem o diagnóstico na prática clínica como as crises
psicogênicas, de angústia, nervosas, de medo, de agitação, de fraqueza ou de
abstinência ao álcool. Em alguns casos, o autor não encontrou nenhuma evidência
de qualquer sintoma episódico. Ele considera pouco provável ou mesmo inadequado
o diagnóstico de epilepsia, ou apenas de epilepsia, para Pitágoras (582-500
a.C), Aristóteles (384-322 a.C), Aníbal (247-183 a.C), Dante Alighiere
(1265-1321), Joana D'Arc (1412-1431), Leonardo da Vinci (1452-1519), por
exemplo. No Brasil, algumas personalidades brasileiras de mais a menos famosas
eram notoriamente epilépticas, como Dom Pedro I (1798-1834)(7), ícone da
independência do Brasil, célebre pela sua impulsividade e sexualidade, com
epilepsia de incidência familiar, que gerou muitos filhos, a independência do
Brasil e a reconquista de Portugal para os liberais; Antônio Moreira César
(1850-1897)(8), desastrado e feroz comandante da 3ª tropa contra os jagunços de
Antonio Conselheiro em Canudos e Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908)(9),
o mundialmente consagrado elegante e discreto escritor brasileiro. A comentar
que a Faculdade de Medicina da UFRJ foi fundada pela família real portuguesa,
dentre outros marcos desenvolvimentistas do Brasil por ela lançados. Essa
família tinha entre os seus familiares, muitos sofredores de epilepsia de
natureza familiar, dentre eles o já mencionado Pedro I. Quanto à literatura,
ela é pródiga nos relatos a PCE e ou CE. Wolf (2006)(10) lembra que textos
literários são uma parte importante da história cultural de muitos campos de
medicina. Segundo esse autor, relatos sobre epilepsia e sua semiologia são
freqüentemente descritas: por escritores que sofreram CE, sendo que alguns
provêem relatos perspicazes notáveis e modernos sobre os sintomas subjetivos e
experiências ictal e periictal; outros que observam com objetividade que pode
ser clínica de CE em parentes íntimos ou estranhos fortuitos; e o último grupo
de escritores que relatam crises não observadas por eles próprios mas
reconhecidas de outros tipos de testemunhos. O livro mais famoso, a Bíblia, no
seu novo testamento, como no evangelho segundo São Marcos 9:14-29, apresenta um pai que relata
as CE de seu filho. O mais prolífico dos
escritores a escrever sobre a epilepsia foi Fiodor Mikhailovitch Dostoievski
(1821-1881), ele próprio uma PCE. Em contrapartida, um dos mais discretos a
lidar com o transtorno e também PCE, foi José Maria Machado de Assis
(1839-1908). Algumas passagens de sua obra é mais textual quanto a essa
relação, como as sugestivas crises de automatismo, outras bem menos. Essas
descrições se atém ao estilo literário sutil do escritor e têm seu significado
apenas sugerido, mas nunca ostentado. Wolf (2006)(10) lembra que Machado de Assis
fez uso literário de sua experiência com CE parciais complexas, possivelmente
por epilepsia do lobo temporal direito(9) em uma época que a sua semiologia era
virtualmente desconhecida.
LIVROS MÉDICOS SOBRE EPILEPSIA E PERIÓDICOS PRECURSORES
A epilepsia induziu a literatura médica a privilegiar esta
área do conhecimento humano. Existe mesmo um livro clássico (1945, 1971)(11)
sobre a sua história produzido por Owsei Temkin (1902-2002), que aborda dos
primórdios da história da medicina ocidental até John Hugling Jackson. Várias
obras ressaltam a importância da epilepsia em estudos pioneiro. Dentre elas,
destacamos algumas a seguir. Do conjunto de setenta escritos atribuído à escola
de Hipócrates denominado de Corpus hippocraticum(12), apenas um é referente a
um complexo sintomatológico: Da Doença Sagrada. Nele se lê: "Parece-me que
ela não é mais divina ou sagrada do que qualquer outra doença; mas ela tem
causa natural como as outras doenças". Várias das obras a seguir
apresentadas favoreceram/sistematizaram o conhecimento da época e a
classificação da epilepsia(13,14): Samuel-Auguste Tissot, Traité de l'epilepsie
(1770); Jean Baumes, Traité des convulsions de l'enfance (1787 e 1805);
Theodore Herpin (postumamente), Des accès incomplets d'épilepsie, (1867); William
Richard Gowers, Epilepsy and other chronic convulsive diseases; their cause
etc. (1881); Russel R Reynolds, Epilepsy: its symptoms, treatment, and relation
to other chronic convulsive diseases (1861); Frederic e Erna Gibbs publicaram
Atlas of electroencephalography (1941, 1951); William Gordon Lennox e Margaret
Lennox, Epilepsy and Related Disorders (1960).
Ressaltamos dois periódicos, um internacional e outro
nacional. Epilepsia, órgão oficial da International League against Epilepsy
(ILAE). O seu 1º volume foi editado em 1909. No Brasil, a Liga Brasileira de
Epilepsia (LBE) lançou pioneiramente um órgão de divulgação de uma
subespecialidade neurológica: Boletim da LBE, 1978-1981, após Jornal da LBE
(1988) que se transformou em Brazilian Journal of Epilepsy and Clinical
Neuro-physiology até a designação atual de Journal of Epilepsy and Clinical
Neurophysiology.
MEDICINA MODERNA E EPILEPTOLOGIA
Escolas precursoras
Mencionaremos os berços da moderna epileptologia, a começar
pelo Neurological Institute Londres,
Hospital for the "paralyzed and epileptic" (1857). Outros a
reconhecer são: Harvard University e Illinois
University; Neurological Institute of Montreal; Hospital La Timone de Marselha
e Hospital Saint-Anne de Paris. Do primeiro Centro, três neurologistas ingleses
se destacaram no início da era moderna da epilepsia: além de Jackson, Russell
Reynolds e William Richard Gowers (1845-1915). Jackson favoreceu a localização
funcional cerebral e a organização hierárquica do sistema nervoso. Isso foi um
grande avanço conceitual que tornou possível o desenvolvimento da neurociência
moderna no século XIX. Na base da reconstrução histórica sobre a epilepsia, a
heurística de Jackson gerou uma transformação adicional que favoreceu o
conhecimento da medicina atual. Ela pôde responder aos fenômenos da
epileptogenicidade que seriam comprovados mais tarde em bases experimentais. A
definição de Jackson (1873) de epilepsia como "uma descarga súbita,
excessiva e rápida da substância cinzenta" ainda hoje é acertada,
precedendo os estudos sobre excitabilidade elétrica cerebral de David Ferrier
(1874), na Inglaterra, e Gustav Fritsch e Eduard Hitzig (1870), na
Alemanha(5,15). Jackson postulou o mecanismo da psicose pós-epiléptica
considerando que o cérebro é um sistema hierárquico, com a consciência no seu
mais alto nível. Em vigência da CE, ela seria inibida permitindo a expressão
dos níveis mais primitivos(15). Isso conduziu à teoria da: evolução-dissolução
(na primeira referente ao níveis, na segunda, o nível mais alto seria mais
vulnerabilizado e o mais inferior, retido); sintomas positivo-negativos, isto é
lesões transitórias levariam tanto a fenômenos negativos, como a paralisia,
quanto positivos (irritativos), como a epilepsia. Assim, esses fenômenos seriam
liberados por perda da inibição ou modulação dos níveis funcionais mais
altos(2,15,16). A idéia sobre o "dreamy state", de "diplopia
mental", que levou ao conceito de epilepsia do lobo temporal também tem
essa base(15). Os princípios evolucionistas de Herbert Spencer influenciaram as
teorias de Jackson sobre a organização cerebral(15,16). Lembra-se que a Ciência
moderna caminha principalmente sobre os preceitos do racionalismo e empirismo e
na Medicina há uma tendência ao uso simultâneo e complementar dessas duas
tendências epistemoógicas. Jackson usou esses recursos nas suas teorias e o
racionalismo fundamentou a sua teoria fisiopatogênico da epilepsia, a partir do
método hipotético-dedutivo(17). A ressaltar na escola francesa, Theodore Herpin
(1799-1865), que se aproximou do requinte de conhecimentos sobre epilepsia de
Jackson, segundo Eadie (2002)(14). No seu livro, Des accès Incomplets
d'épilepsie, publicado postumamente (1867) ele relata uma gama pormenorizada e
extensa de possíveis manifestações não convulsivas das CE(14). Para Eadie
(2002)(14), ele pode ser considerado "um dos grandes documentos na
história da epileptologia". Porém, o médico não notou a presença de CE de
ausência em quaisquer dos seus 300 pacientes(14). A palavra
"epilepsia" se referia às CE tônico-clônica generalizadas, sendo que
as outras manifestações eram consideradas como manifestações incompletas de
epilepsia(14). Herpin reconheceu que todos as CE, completas ou incompletas, se
originam no mesmo lugar do cérebro o que pode ser depreendido a partir de um
relato de caso(14). As suas observações e interpretação parecem ter precedido o
desenvolvimento independente de Jackson sobre conceitos semelhantes, mas a
exploração intelectual mais extensa do inglês das implicações das suas
observações lhe fez uma figura mais importante do que Herpin na história da
epileptologia(14). No entanto, a obra de Herpin parece ter influenciado o
trabalho de Jackson, como lembra Eadie (2002)(14). No outro lado do Canal da
Mancha, vicejava a "doença" chamada de histero-epilepsia por Jean
Martin Charcot (1825-1893)(18) que combinava transtorno da mente e do cérebro,
da histeria e da epilepsia(2). Na Salpêtrière, o local de nascimento e
epicentro de neurologia moderna, Charcot encontrou as PCE ao lado dos
oligofrênicos, pacientes com sífilis crônica, criminosos insanos e histéricos.
Sendo que esses últimos, vulneráveis à sugestão e persuasão, começaram a imitar
os ataques epilépticos que testemunhavam repetidamente. Assim, a epileptologia
francesa era derivada principalmente de PCE de asilos e hospitais de pacientes
mentalmente crônicos(14). A diferenciar, ao contrário, a clientela de Herpin
mais representativa da comunidade(14). Charcot reconheceu a importância de
Jackson e é dele a designação da epilepsia Bravais-Jacksoniana, inicialmente
vinculada apenas à Bravais, por conta da sua tese (1824)(14). Lembra-se que
Jackson designava esse tipo de epilepsia a "convulsões
epileptiformes"(15). Voltando à escola inglesa pioneira, lembramos de
Gowers claramente favorável a ser no córtex a gênese das CE: "... todos os
fenômenos das crises da epilepsia idiopática podem ser explicados pela descarga
da substância cinzenta; que a hipótese de espasmo vascular é tão desnecessária
quanto não está comprovada; ... que epilepsia é uma doença da substância
cinzenta, e não tem nenhum local uniforme". Gowers (1881) classificou
epilepsia como grand mal, petit mal e histeróide(19). J. Russell Reynolds
(1861) classificou as convulsões associadas com um transtorno estrutural do
sistema nervosa de epilepsia sintomática, as associadas com condições fora do
sistema nervoso central (insuficiência renal, por exemplo) de epilepsia
simpática(19). Na Harvard University e Illinois University, o EEG se
desenvolveu e teve importante papel na clínica da epilepsia: início dos anos de
1930, 1 canal EEG; 1935, 3 canais, com Albert Grass e Frederic Andrews Gibbs
(1903-1992), em Harvard; 1944, Erna e Frederic se mudaram para a Universidade
de Illinois. Gibbs também é considerado o primeiro a enfatizar a associação da
epilepsia do lobo temporal a transtornos comportamentais(2). Lennox, da Escola
de Harvard, "o pai" do tratamento moderno da epilepsia, ficou quatro
anos como um médico missionário na China de lá retornando para Boston quando
sua filha mais nova desenvolveu epilepsia(3,20). Ele trabalhou com Frederic
Gibbs e estudou circulação e metabolismo cerebral, enquanto localizava a doença
em milhares de famílias e mantinha registros cuidadosos de muitos gêmeos,
tentando determinar se epilepsia era uma característica herdada. Ele foi
presidente da ILAE de 1935-1946, co-editor e depois editor da Revista
Epilepsia. Ele organizou a American Epilepsy League, Committee for Public
Understanding of Epilepsy, foi chefe da Divisão de Epilepsia Children's Medical
Center de Boston onde estabeleceu um programa de treinamento para médicos em
epilepsia. Lennox escreveu, com a sua filha Margaret um importante livro sobre
epilepsia que contém a descrição da síndrome de Lennox-Gastaut. No Neurological
Institute de Montreal, pontificaram Herbert Henri Jasper (1906-1999), Wilder
Penfield (1891-1976) e Theodore Brown Rasmussem (1910-2002). A partir de 1939,
Jasper colaborou com Penfield. O trabalho deles proveu bases para localização
de foco de crises epilépticas pelo EEG. A estimulação cortical direta favoreceu
a definição da anatomia funcional do cérebro humano. Nesse Centro, foi
reconhecida a esclerose mesial temporal e epilepsia por Murray Falconer e o
grupo dele e William Feindel e a conseqüente base cirúrgica mais comum da
epilepsia focal tratável. Rasmussen sucedeu Penfield como diretor do Instituto
Neurológico de Montreal. Realizou muitas cirurgias para epilepsia. Em Marselha,
no Hospital La Timone, Henri Gastaut (1915-1995) foi consagrado como grande
epileptologista pelas suas bases anatomopatológicas, neuro-fisiológicas em
aliança ao seu intelecto arguto(21). Ele foi chefe dos Laboratórios de
Neurobiologia do Hospital de Marselha (1953) e diretor do centro regional para
epilepsia em 1960(21). De 1973 a 1984, assumiu a cadeira de neurofisiologia
clínica(21). Ele promoveu o estudo do EEG e epilepsia (1947-1987)(21). Foi
secretário geral e presidente da ILAE com várias contribuições ao
desenvolvimento dos seus capítulos(21), a destacar o brasileiro presidido por
Paulo Niemeyer. Com a sua esposa e parceira nos estudos de EEG, Ivete,
reconheceu padrões diversos do EEG tais como ondas lambda, ritmo mi, ritmo pi,
ritmo teta posterior e pontas rolândicas. Ele favoreceu o uso de vários métodos
de ativação dessa técnica, fez correlações fisiológicas das parassonias e uso
em vários estados de alteração de consciência natural ou artificial (meditação
ou biofeedback, por exemplo)(21). Ele valorizou a semiologia da epilepsia e
contribuiu com: nosografia, classificação da epilepsia adotada pela ILAE,
definição da síndrome HHE (hemiplegia, hemiconvulsão e epilepsia), epilepsia do
susto (startle epilepsy), colaboração na definição das síndromes de
Lennox-Gastaut e West e epilepsia parcial benigna occipital (forma de Gastaut),
associação da epilepsia com o comportamento e diagnóstico diferencial com os
eventos não epilépticos(21). A sua abordagem reconhecia o valor da integração
biopsicossocial das PCE(21). Ele também procurou entender possíveis vínculos
entre epilepsia e genialidade artística. Não desconsiderava a importância do
estudo da arte e literatura. Em Paris, no Hospital Saint-Anne o trabalho
consagrou o neurocirurgião Jean Tailarach e o neurofisiologista clínico Jean
Bancaud (1921-1993). O início da era moderna da Epileptologia no Brasil veio
com Paulo Niemeyer (1914-2004) que foi: fundador da LBE (1949); promotor da 1ª
Jornada da LBE (1957), uso pioneiro da eletrocorticografia e exploração
eletrográfica com eletrodos implantados no Brasil; inventor da
amigdalahipocampectomia na epilepsia do lobo temporal e descritor da
anormalidade elétrica neocortical pós-cirúrgica(22). Helio de Paiva Bello,
Ilustre discípulo de Henri Gastaut, da "Escola de Marselha", foi o
genial parceiro de Paulo Niemeyer(23) nas mencionadas conquistas e líder de uma
grande e clássica escola de eletroencefalografia brasileira.
Neurofisiologia clínica
Após os descobrimentos iniciais da Eletroencefalografia em
seres humanos por Hans Berger (1873-1941) houve sua aplicação clínica na
epilepsia, nos anos de 1930(24): 1934, Fisher e Lowenback foram os primeiros a
demonstrar pontas epileptiformes; 1935, Gibbs, Davis e Lennox descreveram ponta-onda
interictal e padrões 3 Hz do complexo ponta-onda, na ausência epiléptica dando
alento ao campo da EEG clínica; 1936, Gibbs e Jasper definiram as pontas
interictais como assinatura focal da epilepsia. A localização de descargas
epilépticas pela EEG ampliou as possibilidades de tratamento cirúrgico, mais
amplamente disponível a partir dos anos de 1950. A análise quantitativa do EEG
nos anos de 1940 e 1950 incrementou a análise temporal e espacial do EEG(25).
Mary Brazier (1904-1995) foi a pioneira da utilização da função de coerência e
de fase para o estudo da propagação da atividade epiléptica crítica registrada
com eletrodos intracranianos (1968)(25).
Terapêutica medicamentosa e outras
A idéia de que a irritação focal podia causar CE apoiou o
controle das CE por sedativos, primeiro pelos brometos (Charles Locock em 1857)
e barbitúricos (Hauptmann em 1912), introduzidos na clínica sem avaliação
pré-clínica(26). Mais especificamente, o brometo foi inicialmente usado para
sedar mulheres jovens com histeria, após para as com epilepsia até chegar à
epilepsia catamenial e às PCE de modo geral(2). A introdução da fenitoína
(Merrit e Putnam em 1937) demonstrou que as drogas não sedativas também
poderiam ser efetivas no controle dessas crises, sendo que o modelo pré-clínico
usado foi a CE promovida por eletrochoque máximo(26). Várias drogas foram
experimentadas e aquelas demonstradas eficazes levaram ao estudo de outras da
mesma família farmacológica, muitas não referendando a droga protótipo.
Conclui-se que algumas dessas drogas usadas foram conseqüentes a achados
serendipiticos, como o valproato, ou avaliação experimental de compostos usando
modelos de epilepsia(26). O primeiro desses modelos foi para testar o aumento
do GABA no cérebro(26). Mais recentemente, o crescimento da compreensão dos
mecanismos da epileptogênese levaram a uma base mais racional para essas
descobertas, a partir da década de 1980(26). Apontamos a terapêutica que teve
mais êxito e permaneceu mais tempo no mercado: 1857, Brometo (já há muito
desconsiderada no tratamento humano das PCE); 1912, Fenobarbital; 1920, Dieta
cetogênica (de uso clínico iniciado nos anos de 1920(27); 1938, Fenitoína(26);
1963, Carbamazepina(26); 1958, Etosuximida(26); 1967, Valproato de sódio(26);
1997, Estimulação nervo vago CE focal
adulto (usada inicialmente no ser humano em 1988 e aprovada pela FDA em
1997(27)). Foram lançadas no
mercado várias DAE na década de 1990, a destacar as
introduzidas no Brasil tais como gabapentina, lamotrigina, topiramato e
oxacarbazepina.
Cirurgia para epilepsia
A proximidade dos fundamentos da Escola de Jackson e de sua
influência direta deram o impulso necessário a Victor Horsley (1857-1916) para
os primórdios da cirurgia para epilepsia(28). Em 1886, dos três pacientes
operados descritos, dois eram pacientes de Jackson, sendo que em um foi feita
lesionectomia e no outro ressecção mais extensa de tumor(15). Outros avanços
permitiram a evolução desse procedimento, como o do mapeamento cortical
funcional cerebral. Fedor Krause (1857-1937) e Otfrid Föster (1878-1941) foram
importantes nesse desenvolvimento(28). Krause introduziu a estimulação farádica
para mapear o córtex motor humano(28). Isso foi continuado por Föster, usando
anestesia local e assim favorecendo a responsividade do paciente o que
possibilitou excisão cortical extensa das cicatrizes corticais sem lesão
relevante das áreas eloqüentes(28). No Neurological Institute of Montreal,
houve a introdução do EEG complementar à avaliação pré e percirúrgica com a
colaboração Jasper. Penfield lá militou, mas antes estagiou com Förster (1928),
e expandiu os seus conhecimentos do mapeamento das funções cerebrais corticais.
Em princípios dos anos 1950, Penfield/equipe (incluindo Falconer que estagiou
no Instituto) definiu características anatômicas e patológicas das CE do lobo
temporal mesial o que levou ao "procedimento de Montreal" que
consiste na lobectomia temporal anterior inclusive com remoção da amígdala e
hipocampo(28). Frederic e Erna Gibbs, já transferidos de Boston para Chicago, se
associaram ao cirurgião Percival Bailey o que favoreceu a cirurgia da epilepsia
do lobo temporal sem lesão aparente, por orientação do EEG expresso na região
temporal anterior(28). No entanto, Bailey evitava ressecar nesses casos as
estruturas mesiais e inferiores do lobo temporal(28). No Hospital Saint-Anne de
Paris houve o desenvolvimento da estereoEEG e terminologia de zonas lesional,
irritativa e epileptogênica(29). Nesse Centro, pontificaram Tailarach e
Bancaud. No final dos anos de 1980 e 1990, o advento da neuroimagem moderna deu
ímpeto novo ao tratamento cirúrgico. A ressaltar que ela e o desenvolvimento da
genética favoreceram a melhor definição classificatória das crises e síndromes
epilépticas.
Abordagem mais ampla
Tentativas mais sistematizadas de humanizar o tratamento das
PCE ocorreram simultaneamente à inauguração do Hospital for the "paralyzed
and epileptic" (1857). Nessa época foram estabelecidas colônias para o
cuidado e emprego de PCE, em Dianalund na Dinamarca, Chalfont na Inglaterra,
Bielefeld Bethel na Alemanha, Heemstede na
Holanda, Sandviakain na Noruega e Centro de Epilepsia em Zurique(5). O mito da
epilepsia como uma maldição foi
largamente derrotado em culturas modernas, mas o transtorno ainda permanece com
um estigma social para muitos pacientes. Conseqüentemente, para real
crescimento da epileptologia efetiva houve necessidade de maior atenção às
necessidades psicológicas e sociais e qualidade de vida das pessoas com
epilepsia, em contrapartida aos avanços tecnológicos. Ressalta-se que eles são
de pequena ou nenhuma relevância para 80% das PCE dos países em
desenvolvimento(5). Assim, Organizações se associaram para atendê-las, a saber
a ILAE (fundada em 1909), International Bureau for Epilepsy IBE (fundada em 1961) e a Organização
Mundial de Saúde. Essas três instituições estabeleceram a Campanha Global
Contra Epilepsia, Saindo das sombras (1997) que tem como objetivo melhorar a
prevenção, tratamento, cuidado e serviços para pessoas com epilepsia e elevar
consciência pública sobre o transtorno e promover ambiente encorajador no qual
as PCE possam viver melhor(5,30).
CONCLUSÃO
"Quanto mais distante para trás você puder olhar, mais
distante à frente é provável que você veja" Winston Churchill. Essa visão
de Jano, deus da mitologia romana, de reconhecer os términos e os começos, de
ter a perspectiva do futuro, mas conhecendo o passado é muito útil para o
progresso criterioso da medicina. Para o futuro não muito remoto, aventamos a
possibilidade para as PCE com CE focais, cirurgias não ablativas, mas
aumentativas ou restauradoras, através da liberação focal de DAE, enxerto
neuronal, além do uso de células tronco e implantação de estimuladores
cerebrais(31). A terapêutica medicamentosa poderá ter avanço significativo ao
se conhecerem os mecanismos intrínsicos específicos das CE e formulação de
drogas a eles relacionados, por exemplo. No entanto, sempre haverá espaço da
idéia hipocrática de primum non nocere e relevância da integração
biopsicossocial que norteia a atual campanha promovida pela OMS, ILAE e IBE. O
pai da medicina criou uma abordagem holística recomendando o uso de terapias
disponíveis com o máximo de parcimônia. Dele também vêm os conceitos ainda
vigentes da ética médica a serem considerados em contrapartida à pressão do
mercado para o consumo de alternativas tecnológicas novas e dispendiosas, mas
não necessariamente efetivas. A ressaltar a importância de metodologias
científicas complementares para o crescimento da epileptologia.
Endereço para correspondência:
Marleide da Mota Gomes
Instituto de Neurologia da UFRJ Programa de Epilepsia
Av. Venceslau Braz, 95 ,Botafogo
CEP 22290-140, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Received June. 27, 2006; accepted Aug. 10, 2006.
Instituto de Neurologia Deolindo Couto UFRJ
*
Trabalho parcialmente apresentado no XXXI Congresso
Brasileiro de Neurologia realizado em Bento Gonçalves, de 21 a 25 de junho de
2006 e aqui exposto como uma homenagem aos 200 anos da Faculdade de Medicina da
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Endereço para correspondência: Marleide da Mota Gomes
Instituto de Neurologia da UFRJ Programa de Epilepsia Av. Venceslau Braz, 95 ,Botafogo CEP 22290-140, Rio de
Janeiro, RJ, Brasil * Trabalho parcialmente apresentado no XXXI Congresso
Brasileiro de Neurologia realizado em Bento Gonçalves, de 21 a 25 de junho de 2006 e aqui exposto como uma
homenagem aos 200 anos da Faculdade de Medicina da UFRJ criada pelo príncipe
regente D. João em 1808.
Datas de Publicação
Publicação nesta coleção
18 Maio 2007 Data do
Fascículo
Set 2006

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