Steve Jobs: traços de sua
personalidade segundo o modelo Big Five
23 de setembro de 2021 Fabiola Bocchi Barbosa 169, Destaque, Personagens
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O filme biográfico “Jobs”,
lançado em 2013, é dirigido por Joshua Michael Stern e tem foco nos primeiros
anos de Steve Jobs como um jovem que revolucionou o mercado de tecnologia. Toda
a trama foi baseada em fatos reais, e retrata a vida do cofundador da Apple,
abordando alguns momentos cruciais da carreira dele, mostrando seus pontos
fracos e a audácia visionária deste homem que revolucionou o mundo.
No filme, podemos observar
os primórdios da empresa Apple sendo criada, desde sua fundação, na garagem do
pai de Steve. Ele queria desenvolver algo único, uma ferramenta para o coração.
Falou em um dado momento do filme que quando algo toca o coração ou as emoções
das pessoas, não há limites para o que pode acontecer.
Fonte: encurtador.com.br/uvAFT
Aparece ele na faculdade
em 1974, perdido. Se enxergava sem talento, e via um diploma como perda de
tempo. Para ele estava claro que ele não precisava deste tipo de validação ou
esta busca por segurança. Em um momento o filme traz a questão do abandono,
pois seus pais não eram os pais biológicos, e dá a entender que ali havia
alguma raiz de sofrimento.
“Eu não tinha ideia do que
queria fazer com minha vida e não sabia como a faculdade poderia me ajudar a
descobrir isso”, declarou em 2005, durante um discurso de formatura na
Universidade Stanford. “Então preferi sair e acreditar que tudo ficaria bem com
o tempo… Foi assustador no começo, mas hoje vejo que foi uma das melhores
decisões que já tomei.”
Ele foi incrivelmente
visionário. Juntamente com os seus amigos, criaram o primeiro computador
doméstico do mundo, e chamaram de computação pessoal. Saíram de um fundo de
quintal para uma mega estrutura, e transformaram esta e outras mercadorias
criadas por eles por algo muito desejado, com alto valor de status social,
tornando sua visão revolucionária em realidade.
Fonte:
encurtador.com.br/gkGN4
Mas tudo isso teve um
custo muito alto. No filme mostra como seus relacionamentos mudaram
radicalmente, ele chegou a negar a paternidade e expulsar sua namorada de casa,
pois não tinha tempo para isso sendo que a empresa estava deslanchando.
Uma definição trazida para
ele pela revista Exame/Galileu: Genial, disléxico, perfeccionista, obsessivo e
inflexível.
Durante o longa metragem,
Jobs é retratado como alguém que enfrenta dificuldades para lidar, conviver e
dialogar com as pessoas ao seu redor, incluindo seus colegas de trabalho e
familiares. Ao mesmo tempo, são ressaltadas suas muitas habilidades e
iniciativas para criar, identificar talentos, liderar e negociar dentro da sua
empresa.
Uma análise feita por Bert
Mc Brayer, da Universidade da Pensilvânia, dentro da estrutura da Teoria de
Personalidade Big Five, conclui que a história provavelmente pintará Jobs como
um inovador, mas provavelmente não o incluirá no panteão dos líderes do povo.
O Big Five, que também é
conhecido como Modelo dos Cinco Grandes Fatores, surgiu por meio dos estudos da
Teoria dos Traços de Personalidade, desenvolvida em 1949 por D. W. Fiske (1949)
e posteriormente ampliada por outros pesquisadores, incluindo Norman (1967),
Smith (1967), Goldberg (1981), e McCrae & Costa (1987) no qual descreve as
dimensões humanas básicas.
Fonte:
encurtador.com.br/bmyQ7
Os traços de personalidade
Big Five são as medidas de personalidade cientificamente mais aceitos e mais
comumente utilizados e têm sido extensivamente pesquisados. De acordo com Northouse
(2015) os 5 fatores são: neuroticismo, extroversão, abertura para a
experiência, conscienciosidade e agradabilidade.
Usando este modelo,
especialmente quando aplicado à liderança, dá para perceber onde o estilo de
liderança de Steve Jobs se encaixa nas várias dimensões da personalidade.
Neuroticismo
Northouse descreve o
neuroticismo como, “A tendência de ficar deprimido, ansioso, inseguro,
vulnerável e hostil ”(2015, p.27). O neuroticismo é o único dos cinco fatores
que não é positivamente correlacionado com o sucesso da liderança. Embora a
paixão de Jobs por seu trabalho às vezes resultasse em exibições de hostilidade
para com seus funcionários, as suas análises bibliográficas trazem que ele
dificilmente era inseguro em seu trabalho.
Histórias sobre os traços
de personalidade nada agradáveis de
Jobs, incluindo acessos de raiva épicos
e mau comportamento circulam há
anos. No entanto, essas histórias
normalmente giram em torno de uma tendência
perfeccionista para o trabalho de Jobs, em vez de depressão ou insegurança.
De acordo com Toma &
Marinescu, “Como um perfeccionista, ele nunca desistiu e sempre buscou seus
sonhos ” (2013, p. 267). Jobs estava tão focado no sucesso dos produtos de suas
empresas que ele pressionava muito seus funcionários (SHARMA & GRANT,
2011).
Extroversão
Indivíduos extrovertidos
são aqueles que exibem fortes habilidades sociais, mantêm uma postura otimista
e tendem a ser autoconfiantes em sua abordagem para o trabalho (NORTHOUSE,
2015).
Extroversão é o fator que
está mais positivamente associado ao surgimento e eficácia da liderança. Steve
Jobs mostrou sua natureza extrovertida desde o início de sua vida profissional.
Isto é exemplificado na história de Isaacson (2012) em uma matéria para a
revista Harvard Business Review sobre o foco de Steve Jobs.
Quando Jobs voltou para a
Apple em 1997, ela estava produzindo uma série aleatória de computadores e
periféricos, incluindo uma dúzia de versões diferentes do Macintosh. Depois de
observar algumas semanas de sessões de avaliação do produto, ele finalmente
teve o suficiente. “Pare!” ele gritou. “Isso é loucura.” Ele pegou um pincel
atômico, e desenhou em quadro branco duas linhas horizontais e duas verticais.
“Aqui está o que precisamos”, declarou ele. No topo das colunas, ele escreveu
“Consumidor” e “Pro.” Ele rotulou as duas linhas verticais de “Desktop” e
“Portátil”. O trabalho deles, ele disse à sua equipe, deveria se concentrar em
quatro grandes produtos, um para cada quadrante. Todos os outros produtos deveriam
ser cancelados.
Obviamente, Jobs tinha uma
visão definitiva para simplificar e concentrar todos os recursos da empresa em
quatro produtos em vez de dezenas. A maneira como ele poderia articular essa
visão e persuadir outros que era a coisa certa a fazer, é um grande exemplo de
extroversão na prática. Alguém pode ver como Jobs usou suas fortes habilidades
de comunicação, juntamente com um excelente senso de planejamento, para traçar
um plano detalhado para o sucesso da Apple.
Fonte: Fonte: encurtador.com.br/PQTY8
Abertura para a
experiência
Um indivíduo que mantém a
mente aberta para novas experiências tende a ser mais criativo e curioso no seu
dia-a-dia de trabalho (JUDGE, et al, 2002; NORTHOUSE, 2015). De acordo com
Judge, et al. (2002), “A abertura correlaciona-se com o pensamento divergente”
(p. 768). Ao olhar para a carreira de Jobs, é difícil argumentar que ele não
teve altos níveis de abertura. Na verdade, abertura a novas experiências e
criatividade são marcas registradas do estilo de liderança de Jobs, bem como
sua personalidade em geral (ISAACSON, 2012). Em nenhum lugar isso é mais
evidente do que no início de sua vida adulta. Imediatamente após seu abandono
da faculdade, Steve Jobs conseguiu um cargo na Computadores Atari. Depois de
trabalhar lá por um tempo e economizar dinheiro, Jobs decidiu que queria fazer
uma mochila pela Índia e mergulhar no estudo do Zen Budismo (TOMA &
MARINESCU, 2013). Essa abertura para uma nova experiência – e imersão na Índia
– levou Jobs a um dos lemas mais reconhecidos dos produtos Apple, que é manter
as coisas simples. Ele se voltou para simplicidade e fugiu da complexidade, e
dessa forma conquistou os consumidores que aprendem facilmente a manusear os
produtos sem grandes dificuldades.
Conscienciosidade
Aqueles que têm um alto
nível do traço de conscienciosidade têm uma gestão de fortes capacidades. Eles
traçam um plano detalhado, trabalham muito no que fazem e são confiáveis em
suas obrigações.
Além disso, de acordo com
Judge et al., características
como organização, confiança e iniciativa estão fortemente relacionadas à
liderança (2002). Alto conscienciosidade está correlacionada ao um desempenho
total no local de trabalho, e também está relacionada ao eficácia – ou
ineficácia – do líder (JUDGE, et al., 2002).
Amabilidade
Se alguém é compassivo com
os sentimentos dos outros, amigável e otimista, eles estão exibindo níveis mais
elevados de agradabilidade. Este fator é particularmente útil para líderes,
pois beneficia aqueles que trabalham em grupos e em equipes (JUDGE et al.,
2012). De acordo com Toma & Marinescu (2013), Jobs “realmente sabia o que
queria e conseguiu transformar seus sonhos na realidade” (p. 266). Ele
conseguiu isso desafiando seus funcionários e fornecendo estímulo, além de
exercer sua capacidade de encorajar seu pessoal a realizar tarefas que outros
achavam que era impossível (TOMA & MARINESCU, 2013). No entanto, apesar
deste aparentemente alto nível de força motivadora, Jobs era conhecido por nem
sempre possuir um traço agradável. Tinha baixa empatia e polidez. Um dos
descritores disso está na explicação de Isaacson de que a visão de mundo de
Jobs era muito “binária” (STEINWART & ZIEGLER, 2014). “As pessoas eram‘
iluminadas ’ou ‘idiotas’. Seu trabalho era ser ‘o melhor’ ou ‘totalmente uma
merda’ ”(STEINWART & ZIEGLER, 2014, p. 62). Bywater (2011) sugere que essa
forma de pensar preto ou branco era equivalente a um “relacionamento abusivo”
(parágrafo 12) com seus funcionários. “Homens adultos foram reduzidos às
lágrimas por ele … Mas quando ele disse ‘Isso é realmente ótimo’, você se
sentiu como um semideus” (BYWATER, 2011, para 11). Embora Jobs frequentemente
pudesse motivar os seguidores a trabalharem duro, não era necessariamente de um
ponto de vista agradável.
O que parece ter tornado
Jobs único foi seu notável foco, combinados com a criatividade proporcionada
por um intelecto acima da média e uma abertura ao novo extremamente alta. Steve
era focado no produto e não nas pessoas e pode ter se retirado da “cicatriz” de
sua rejeição quando criança para os infinitos detalhes do design do produto e
do esforço artístico.
Foi um homem visto com
muitas facetas controversas: perfeccionista em excesso, explosivo, zen,
egoísta, aficionado por situações adversas, cheio de dons artísticos, que
deixou um legado de uma verdadeira revolução, trago aqui algumas palavras ditas
pelo personagem no filme que trazem reflexão sobre o modo de viver:
“Quando crescemos dizem
que o mundo é do jeito que é, que você só deve viver sua vida dentro do mundo e
tentar não se debater demais contra as paredes.
Mas essa vida é muito
limitada.
A vida pode ser muito mais
ampla depois que você descobre um simples fato:
Tudo a sua volta, que você
chama de vida, foi feito por pessoas não mais inteligentes que você.
E você pode mudar isso. Pode
influenciar. Pode construir suas próprias coisas, que outros podem usar.
É algo para afastar essa
noção errônea de que você só vai viver a vida em vez de abraçá-la.
Mude-a. melhore-a. deixe
sua marca nela.
E quando aprender isso…
você nunca mais será o mesmo.”
Fonte:
encurtador.com.br/drtCY
Referências:
GALILEU. Você tem
que…mergulhar na personalidade complexa de Steve Jobs. In:
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI275533-17935,00-VOCE+TEM+QUEMERGULHAR+NA+PERSONALIDADE+COMPLEXA+DE+STEVE+JOBS.html
SHARMA, A., & GRANT,
D. (2011). Narrative, drama and charismatic leadership: The case of Apple’s
Steve Jobs. Leadership, 7(1), 3-26. doi:10.1177/1742715010386777

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